Capítulo 3

“Se o amor é imaginar o possível e o impossível, um beijo nunca sentido pode mudar a vida de um homem”.

O tempo nunca volta... Dias e mais dias se passaram antes de eu perceber o que tinha feito: Aos poucos estava perdendo meu amor, um dia ela se cansaria de chorar pensando em mim e outro estaria em meu lugar.

Não foi fácil, a maior parte do tempo permanecia em meu quarto estudando ou vendo o mundo cinza lá fora... Fitei por horas o pingente intrigado. Pensei muito, boa parte em como aguentaria toda essa dor que insistia em bater em meu coração.
Foram dias de angústia e escolhas, tudo se resumia a ela e somente ela: o amor da minha vida. Procurei saber onde ficava sua nova casa, mas nada indicava um lugar exato.
Foi então que recebi uma carta sua dizendo que gostaria de me ver, que eu precisava encontrá-la o quão rápido pudesse, pois a saudade estava doendo de mais e estava muito difícil seguir sem o outro. A carta era de semanas atrás, não havia endereço remetente.
Falei com seus amigos, perguntei a todos que um dia ela fora próxima, mas nada se encaixava. Ela sumira da minha vida do mesmo jeito que entrou: súbita e misteriosamente.
Não poderia desistir agora, arrumei minhas coisas, peguei o primeiro voo para a Austrália e parti sem olhar para trás. A viagem foi longa e cansativa, mas valeria a pena se fosse para ficar com meu amor. Procurei por ela em todos os lugares, falei com moradores sobre uma fazenda rica e distante, mas tudo indicava que não havia ninguém com seu sobrenome morando lá.
Algo estava errado, liguei para o seu celular, mandei torpedos, implorei aos céus que ela me desse algum sinal de vida, mas nada.
Então meu celular vibrou. Uma. Duas vezes. Peguei-o depressa e desejei ouvir sua voz novamente, mas o inesperado aconteceu. Era minha mãe.

No dia em que fui ao seu encontro, mal sabia que ela também o faria... Minha mãe me disse que ela estava juntando dinheiro para comprar uma casa próxima à nossa para podermos nos ver mais vezes. O que ninguém sabia era que a vida era injusta e não sabia lidar com o sarcasmo da vida: uma essência que demorou vinte anos para ser o que era se perdeu em minutos em um acidente de carro próximo aonde tudo começou. Uma escola qualquer, num dia frio onde a neve insistia em cair sobre os carros de curiosos, paramédicos e a polícia.

Me sentia derrotado, impotente, estava abatido como um veado ao ser pego de surpresa. Minha vida não faria mais sentido sem ela.

Mas eu sabia que nos encontraríamos em breve num lugar onde ninguém iria nos separar, onde tudo que preciso é seu sorriso: a chama da minha paixão.

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