“Se o amor é imaginar o possível e o
impossível, um beijo nunca sentido pode mudar a vida de um homem”.
O
tempo nunca volta... Dias e mais dias se passaram antes de eu perceber o que
tinha feito: Aos poucos estava perdendo meu amor, um dia ela se cansaria de
chorar pensando em mim e outro estaria em meu lugar.
Não
foi fácil, a maior parte do tempo permanecia em meu quarto estudando ou vendo o
mundo cinza lá fora... Fitei por horas o pingente intrigado. Pensei muito, boa
parte em como aguentaria toda essa dor que insistia em bater em meu coração.
Foram
dias de angústia e escolhas, tudo se resumia a ela e somente ela: o amor da
minha vida. Procurei saber onde ficava sua nova casa, mas nada indicava um
lugar exato.
Foi
então que recebi uma carta sua dizendo que gostaria de me ver, que eu precisava
encontrá-la o quão rápido pudesse, pois a saudade estava doendo de mais e
estava muito difícil seguir sem o outro. A carta era de semanas atrás, não
havia endereço remetente.
Falei
com seus amigos, perguntei a todos que um dia ela fora próxima, mas nada se
encaixava. Ela sumira da minha vida do mesmo jeito que entrou: súbita e
misteriosamente.
Não
poderia desistir agora, arrumei minhas coisas, peguei o primeiro voo para a
Austrália e parti sem olhar para trás. A viagem foi longa e cansativa, mas
valeria a pena se fosse para ficar com meu amor. Procurei por ela em todos os
lugares, falei com moradores sobre uma fazenda rica e distante, mas tudo
indicava que não havia ninguém com seu sobrenome morando lá.
Algo
estava errado, liguei para o seu celular, mandei torpedos, implorei aos céus
que ela me desse algum sinal de vida, mas nada.
Então
meu celular vibrou. Uma. Duas vezes. Peguei-o depressa e desejei ouvir sua voz
novamente, mas o inesperado aconteceu. Era minha mãe.
No
dia em que fui ao seu encontro, mal sabia que ela também o faria... Minha mãe me
disse que ela estava juntando dinheiro para comprar uma casa próxima à nossa
para podermos nos ver mais vezes. O que ninguém sabia era que a vida era
injusta e não sabia lidar com o sarcasmo da vida: uma essência que demorou
vinte anos para ser o que era se perdeu em minutos em um acidente de carro
próximo aonde tudo começou. Uma escola qualquer, num dia frio onde a neve
insistia em cair sobre os carros de curiosos, paramédicos e a polícia.
Me
sentia derrotado, impotente, estava abatido como um veado ao ser pego de
surpresa. Minha vida não faria mais sentido sem ela.
Mas
eu sabia que nos encontraríamos em breve num lugar onde ninguém iria nos
separar, onde tudo que preciso é seu sorriso: a chama da minha paixão.
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