Capítulo 1

“Se o amor é o que podemos chamar de felicidade, ela é o meu motivo de viver todos os dias sorrindo”.

Sei que foi graças a sua paciência e compreensão que pude realizar o meu sonho, apesar de tudo o que aconteceu, lhe agradeço por tudo. Bom, esta é a historia do que vivi nesses últimos meses, a história de como conheci minha alma gêmea.

Desde o colegial já sentia algo por ela, era intenso, verdadeiro e puro – nunca havia sentido isso antes – andava bobo pelos corredores da escola a procura de um olhar, um sorriso, qualquer coisa que me levasse até ela.
Logo, minha vida começara a mudar por completo, não comia, não dormia... Apenas pensava nela e no jeito como ajeitava sua mecha de cabelo que insistia em ficar sobre seu olho esquerdo. Eu estava louca e completamente apaixonado por esta garota e nada no mundo seria melhor que ela. Eu a amava.
Certa vez, em um dia melancólico e chuvoso, encontrei-a parada em pé na porta da escola, em sua mão havia apenas um celular que ganhara recentemente que insistia em chacoalhar com o vento gélido daquela tarde. Eu, que já estava ali há algum tempo observando a cena de longe, me dispus a ajuda-la em seu dia ruim... Lá estava ela, com os olhos inquietos - esperava por alguém – o vento batia em seus cabelos castanhos e sua pele delicada estremecia com seu impacto.
Atravessei o estacionamento e fui ao seu encontro, olhei-a nos olhos e tirei minha blusa. Entreguei a ela que, relutante, aceitou, sorriu e agradeceu aliviando meu coração que já estava inquieto em meu peito, assim como uma criança em longas viagens.
Vencido pela curiosidade, perguntei-lhe o que fazia ali numa tarde tão fria. Ela me disse que sua mãe deveria buscá-la logo, mas que ainda não aparecera. A expressão em seu rosto mudara, ela estava preocupada demais para ser apenas um atraso rotineiro. Ofereci a uma carona até sua casa, pois o tempo estava piorando e nada de sua mãe aparecer. Estava muito preocupado com sua saúde para perceber que meu telefone tocava em meu bolso.
Levei-a até sua casa e acompanhei-a até a porta, ela bateu na campainha, mas ninguém atendeu, seu rosto estava tenso e seus olhos estavam tranquilos como se fossem normais os atrasos de sua mãe. Tocou mais uma vez. Silêncio. Ela logo se espantou – não sabia – ela havia desaparecido fazia mais de 1h.
Por um momento ela estremeceu, olhou nos meus olhos e disse que precisava fazer algumas ligações. Agradeceu a carona e se despediu. Depois pegou uma chave do bolso direito de sua calça e enterrou, tremula, em seu encaixe. Parou por alguns instantes, olhou para baixo, respirou fundo e entrou fechando atrás de si a porta sem nem olhar para trás. Fui para o carro pensando no que havia acontecido, ela não queria me contar.
Passei a noite em claro.
Uma ligação perdida. Era da minha mãe, ela estava doente. Retornei a ligação. Disse que havia tido um desmaio em um teatro local, meu pai estava lá para ajudá-la e levá-la ao hospital. Fiquei preocupado, disse que iria para lá assim que pudesse, mas ela não quis, queria que não me preocupasse com ela, as provas estavam chegando e tinha de estudar e tirar notas boas. Foi uma conversa rápida, ela teve de desligar, pois os médicos queriam fazer mais alguns exames.
Era sexta-feira. Estava quase chegando a sala quando ela apareceu. Não sabia como, mas tinha de saber o que havia acontecido com sua mãe. Eu estava preocupado. Acenei para ela discretamente e ela sorriu, veio até mim e desculpou-se por ontem, ela não queria me preocupar e disse que já estava bem melhor. Sua mãe havia voltado para casa 2 horas depois que ela chegou em casa, ela estava cansada e desorientada como de costume, ela acrescentou.
Os dias passaram rapidamente e, com o tempo, fui descobrindo um pouco sobre sua vida. Ela já morou em muitos lugares, conheceu várias cidades e mudou de escola muitas vezes por causa de sua mãe.

Só depois de um tempo descobri o que ela tinha: era Alzheimer e a cada dia piorava um pouco mais, sua filha se preocupava todos os dias temendo o pior quando chegava em casa e não a via dormindo em sua cama.

Meu celular tocou. Uma. Duas vezes. Atendi.

De repente me vi no chão, minhas mãos ficaram trêmulas e meu corpo estremeceu, o que eu temia aconteceu.

Gostou? comente aí o que achou ><

Nenhum comentário:

Postar um comentário