“Se
o amor é o que podemos chamar de felicidade, ela é o meu motivo de viver todos
os dias sorrindo”.
Sei que foi graças a sua paciência e
compreensão que pude realizar o meu sonho, apesar de tudo o que aconteceu, lhe
agradeço por tudo. Bom, esta é a historia do que vivi nesses últimos meses, a
história de como conheci minha alma gêmea.
Desde
o colegial já sentia algo por ela, era intenso, verdadeiro e puro – nunca havia
sentido isso antes – andava bobo pelos corredores da escola a procura de um
olhar, um sorriso, qualquer coisa que me levasse até ela.
Logo,
minha vida começara a mudar por completo, não comia, não dormia... Apenas
pensava nela e no jeito como ajeitava sua mecha de cabelo que insistia em ficar
sobre seu olho esquerdo. Eu estava louca e completamente apaixonado por esta
garota e nada no mundo seria melhor que ela. Eu a amava.
Certa
vez, em um dia melancólico e chuvoso, encontrei-a parada em pé na porta da
escola, em sua mão havia apenas um celular que ganhara recentemente que
insistia em chacoalhar com o vento gélido daquela tarde. Eu, que já estava ali
há algum tempo observando a cena de longe, me dispus a ajuda-la em seu dia
ruim... Lá estava ela, com os olhos inquietos - esperava por alguém – o vento
batia em seus cabelos castanhos e sua pele delicada estremecia com seu impacto.
Atravessei
o estacionamento e fui ao seu encontro, olhei-a nos olhos e tirei minha blusa.
Entreguei a ela que, relutante, aceitou, sorriu e agradeceu aliviando meu
coração que já estava inquieto em meu peito, assim como uma criança em longas
viagens.
Vencido
pela curiosidade, perguntei-lhe o que fazia ali numa tarde tão fria. Ela me
disse que sua mãe deveria buscá-la logo, mas que ainda não aparecera. A
expressão em seu rosto mudara, ela estava preocupada demais para ser apenas um
atraso rotineiro. Ofereci a uma carona até sua casa, pois o tempo estava
piorando e nada de sua mãe aparecer. Estava muito preocupado com sua saúde para
perceber que meu telefone tocava em meu bolso.
Levei-a
até sua casa e acompanhei-a até a porta, ela bateu na campainha, mas ninguém
atendeu, seu rosto estava tenso e seus olhos estavam tranquilos como se fossem
normais os atrasos de sua mãe. Tocou mais uma vez. Silêncio. Ela logo se
espantou – não sabia – ela havia desaparecido fazia mais de 1h.
Por
um momento ela estremeceu, olhou nos meus olhos e disse que precisava fazer
algumas ligações. Agradeceu a carona e se despediu. Depois pegou uma chave do
bolso direito de sua calça e enterrou, tremula, em seu encaixe. Parou por
alguns instantes, olhou para baixo, respirou fundo e entrou fechando atrás de
si a porta sem nem olhar para trás. Fui para o carro pensando no que havia
acontecido, ela não queria me contar.
Passei
a noite em claro.
Uma
ligação perdida. Era da minha mãe, ela estava doente. Retornei a ligação. Disse
que havia tido um desmaio em um teatro local, meu pai estava lá para ajudá-la e
levá-la ao hospital. Fiquei preocupado, disse que iria para lá assim que
pudesse, mas ela não quis, queria que não me preocupasse com ela, as provas estavam
chegando e tinha de estudar e tirar notas boas. Foi uma conversa rápida, ela
teve de desligar, pois os médicos queriam fazer mais alguns exames.
Era
sexta-feira. Estava quase chegando a sala quando ela apareceu. Não sabia como,
mas tinha de saber o que havia acontecido com sua mãe. Eu estava preocupado.
Acenei para ela discretamente e ela sorriu, veio até mim e desculpou-se por
ontem, ela não queria me preocupar e disse que já estava bem melhor. Sua mãe
havia voltado para casa 2 horas depois que ela chegou em casa, ela estava
cansada e desorientada como de costume, ela acrescentou.
Os
dias passaram rapidamente e, com o tempo, fui descobrindo um pouco sobre sua
vida. Ela já morou em muitos lugares, conheceu várias cidades e mudou de escola
muitas vezes por causa de sua mãe.
Só depois de um tempo descobri o que ela
tinha: era Alzheimer e a cada dia piorava um pouco mais, sua filha se
preocupava todos os dias temendo o pior quando chegava em casa e não a via
dormindo em sua cama.
Meu
celular tocou. Uma. Duas vezes. Atendi.
De
repente me vi no chão, minhas mãos ficaram trêmulas e meu corpo estremeceu, o
que eu temia aconteceu.
Gostou? comente aí o que achou ><
Gostou? comente aí o que achou ><
Nenhum comentário:
Postar um comentário