“Se
o amor é a causa do nosso sofrimento e dor, ela é a causa da minha maior dor já
sentida”.
Dizem
que a pior dor já sentida em relação ao amor foi a de um amor não
correspondido. Essa foi a maior mentira que acreditei por anos. A maior dor já
sentida, é a de um amor correspondido, mas separado pelo destino.
Desliguei
o telefone ainda em choque e coloquei meu casaco. Estava muito frio e o sol
ameaçava aparecer no horizonte.
Liguei
o carro e fui até a sua casa, ela abriu a porta apressadamente e me abraçou.
Suas lágrimas logo molharam meu casaco e, naquele momento, eu soube que era
mesmo verdade: sua mãe havia morrido.
Ela não me contou de imediato o que
acontecera, mas foi difícil contar em exatos e minuciosos detalhes o que
aconteceu naquela madrugada fria. Em resumo, sua mãe saiu de casa desorientada
como de costume, mas, dessa vez, ela estava pior e isso fez com que um breve e
rápido acidente acontecesse. Ela morreu na hora.
Tentei
reconfortá-la com o que pude. Entramos e então me dispus a lhe fazer uma xícara
de leite bem quente com marshmallow para acalmar as coisas. Perguntei se ela
tinha algum parente próximo morando na região e ela disse que teria de ir morar
com os avós em um lugar muito distante.
Eles
eram donos de uma rica fazenda tocada por um imenso gado e plantações de todo o
tipo. O único problema era que, além de ser muito longe, era livre de qualquer
tipo de comunicação com o mundo externo, ou seja, nunca mais nos falaríamos
novamente.
Ela
iria à sua nova casa na semana seguinte, até lá, eu ficaria com ela ajudando no
que pudesse para tornar esse processo um pouco mais fácil. Foi o que aconteceu,
todos os dias após a aula lhe dava uma carona até a sua casa e começávamos a
encaixotar tudo, coisa por coisa, lembrança por lembrança. Cada parte da sua
vida em caixas que seriam doadas ou levadas para um lugar muito distante de
tudo.
A
semana voou e já me via em nossa última noite juntos. Passei a fita na última
caixa empilhada e sentamos no sofá. Nessa semana que ficamos juntos, um amor
nasceu e cresceu entre nós. Foram os melhores dias da minha vida com ela e os
dela também, ela me disse.
Falei
que gostaria que ficasse, disse o quanto a amava e como desejava tê-la para
sempre comigo. Ela me olhou nos olhos como quem diz apenas um adeus brevemente,
perguntei se me visitaria, se a veria novamente. Ela não respondeu. Perguntei
se quando ficássemos mais velhos, poderíamos ficar juntos novamente. Ela
concordou.
Para
sempre – ela disse.
Essas
duas palavras percorreram meu caminho junto a mim, numa busca desenfreada por
amor, por seu amor. Eu tinha de fazer algo a respeito, tinha de achar um meio de
falar com ela nem que fosse uma vez por mês... Pensei muito. Ela estranhou,
sabia no que eu estava pensando e disse que ficaria tudo bem, a distância não
poderia separar o que duas almas conseguiram unir.
Disse
para ficar de olhos fechados e por um breve momento coloquei a mão em meu
bolso, tirando um pequeno colar. Ele era delicado em formato de meio coração
com letras prateadas gravadas em relevo sempre.
Parei
por um instante, apreciei cada detalhe de sua face, sua roupa, sua presença,
seu cheiro... Tudo. Abri sua mão e depositei nela o colar. Por um momento ela
estremeceu, surpresa abriu os olhos e, curiosa, perguntou onde estava a outra
metade. Com um leve movimento, mostrei a um cordão preto com um pingente em
perfeito encaixe com o dela escrito para.
Uma
lágrima percorreu-lhe o rosto e eu logo a limpei, não queria que sua partida
fosse motivo de tristeza. Peguei as malas, levei as para o carro e partimos
para o aeroporto.
Ela
disse que mandaria cartões de todos os lugares que visitasse, assim saberia por
onde ela andou até chegar ao seu destino.
Sinto
um peso até hoje em minha consciência, pois o tempo que perdi não lhe dizendo
que a amava no primeiro dia que a vi, me fez rever a vida como algo a ser
aproveitado. O tempo nunca volta.
Chegando
lá, nos abraçamos por um longo tempo e então ela partiu. Só então o meu coração
sentiu a saudade de verdade, aquela que não deve ser sentida.
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